• Petit Journal

Estamos conversando menos?

Os assuntos que envolvem mudanças comportamentais pós- revolução tecnológica , seja na vida ou no trabalho, me interessam profundamente. Até porque , apesar de não parecer, sou um ser humano analógico, nascido na década de 70, sendo transformado digitalmente (e artificialmente) a partir dos anos 2000.

A psicóloga Marta Rebón publicou um artigo no El Pais na semana passada, sobre a extinção da arte de conversar nos dias de hoje e os impactos nos negócios e na vida. Segundo ela, a conectividade digital permite trocar mensagens sem limites, fazendo com que a gente viva uma ilusão de estarmos imersos em uma conversa infinita ( mas sem falar).

Vale a pena pensar sobre o que significa conversar nos dias atuais. A verdade é que em uma conversa , esperamos reações, argumentações, escutas atentas, expressões faciais e desafios em sermos entendidos. No cenário atual , tudo é um desafio. A quantidade de ruídos é enorme e pode atrapalhar o processo da comunicação. Segundo a autora, quanto mais tempo as pessoas passam conectadas, menor é a capacidade de identificar sentimentos alheios. Sherry Turkle, pesquisadora de Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia do MIT, alerta para a grande crise de empatia promovida pelos aparelhos eletrônicos, que nos privam de ver as emoções que afloram quando duas pessoas se explicam frente a frente em tempo real: ” Conversar é a maneira mais eficaz de criar laços afetivos. Precisamos depender menos da tecnologia e mais das pessoas que nos rodeiam – sacrificamos a conversa pela mera conexão”.

Vale ressaltar que eu vivo esse dilema e tento usar a tecnologia, sem deixar de lado a arte do encontro. Por isso, gostaria de compartilhar 3 dicas para manter a conectividade em alta e as negociações e conversas mais ainda :

1. Marque um ou dois dias na semana para encontrar amigos e clientes, 2. Exercite o diálogo em casa, falando e ouvindo seus filhos , marido, esposa. Sem diálogo, perdemos a capacidade de argumentar. 3. Nunca use o telefone, enquanto estiver na frente de alguém. Além de mal-educado e super desrespeitoso, você ainda perde a capacidade de ouvir os detalhes da conversa.

Não podemos negar que a tecnologia nos ajuda, mas vale a pena refletir sobre as reais perdas e ganhos deste processo.

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